segunda-feira, 4 de maio de 2015

Entre Abelhas e reflexões sobre vermos as pessoas a nossa volta


“A cegueira também é isto, viver em mundo onde se tenha acabado a esperança.” A frase do renomado escritor José Saramago em seu livro Ensaio Sobre A Cegueira resume um pouco o filme Entre Abelhas, a mais nova produção nacional que chegou aos cinemas na última quinta-feira. O longa-metragem traz a história de Bruno (Fábio Porchat) que, após o fim de seu casamento, começa a passar por situações estranhas e, entre tropeços, esbarrões e carros sem motorista, descobre que ele não está mais enxergando as pessoas.

Entre Abelhas tem em sua direção Ian SBF, conhecido por dirigir os esquetes de internet Anões em Chamas e Portas dos Fundos, e que faz a sua estreia nas telonas. Mesmo com o diretor e o protagonista vindos de um dos canais de humor mais populares do Brasil, Entre Abelhas carrega o drama em sua essência, mostrando o isolamento de quem passa a enxergar o cotidiano cada vez menos. Há momentos de descontração em grande parte graças a Davi (Marcos Veras), melhor amigo de Bruno, mas o protagonista mesmo está concentrado em sua própria angústia.


O título do filme é uma referência a um dos fatos científicos mais intrigantes da atualidade, o sumiço das abelhas. No longa, as pessoas não chegam a sumir, elas deixam de ser vistas apenas por Bruno, o que nos faz refletir: será que nós também não deixamos de ver algumas pessoas? Ficamos tão imersos nos nossos problemas que alguns rostos passam despercebidos. Seja um atendente, um motorista de táxi ou desconhecido dentro do ônibus, Entre Abelhas mostra como a ausência desse laço social pode ser perturbador.

Apesar de ser formada em Comunicação Social, confesso que muitas vezes não gosto de socializar e prefiro evitar encontros com muita gente, mas saí da sala de cinema com vontade de abraçar e falar com cada pessoa na rua, por mais aleatória que fosse. Ser social, além de ser da nossa natureza, é uma necessidade humana. Por mais concentrados que estejamos em nossas próprias vidas, precisamos reparar que sempre há alguém do nosso lado, um amigo pra lhe ajudar ou alguém na rua precisando da sua ajuda.

Preste mais atenção àqueles que compõem o seu dia a dia e pense na premissa de Entre Abelhas: o que você faria se parasse de ver as pessoas? Pra mim, e como o próprio filme diz, o problema pode estar em nós mesmos. Não importa o momento que estamos passando ou a esperança que já deixamos de ter, mas as pessoas estão sempre aí. Basta querer ver.


Vejam o trailer: 


Ingrid Bittencourt

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